Cigarrinho com o Velopata

1.

Visto de cima, num mapa, Portugal é um caixote.

(Tipo o caixote de um frigorífico).

Um caixote em pé, com o lado frágil para cima. As coisas frágeis no topo e as coisas rijas no fundo.

Lógico, não é? Todos os caixotes têm esta regra.

Se analisarmos o caixote específico que contém o ciclismo português, confirmamos esta teoria: Os ciclistas fraquinhos estão lá no Minho e Trás-os-Montes (muitas sopas de cavalo cansado e papas de sarrabulho não fazem nenhum bem aos petizes), e os grandes ciclistas estão no fundo. No sul. Lá mesmo embaixo. No algarve.

– Ah, e tal… Nada disso! Olha a equipa do FC Porto! É do Norte!  – E o Joaquim Agostinho? Nasceu em Torres Vedras.

 

Argumentos próprios de energúmenos incultos, que falam sem o dom da sabedoria.

A equipa do FC Porto é do Norte, mas os ciclistas são donde? Hum? Onde mudou o Amaro Antunes a primeira fralda? Onde arrotou Ricardo Mestre, depois de ter mamado pela 1ª vez? E Samuel Caldeira? Em que cidade pensam vocês que ele caiu pela 1º vez do triciclo?

E o Joaquim Agostinho é de Torres Vedras? E então?

Há que conhecer bem as teorias. A teoria dos caixotes aplicada ao ciclismo, mais especificamente. Dentro dos grandes caixotes às vezes há caixotinhos. No caso de Portugal, encaixotadamente falando, existem alguns no seu interior. Um deles é o caixotinho das Torres, que contém Torres Novas e Torres Vedras. Torres Vedras não fica por baixo? Então? Algum sabichão tem mais questões ou estão esclarecidos?

Vou prosseguir então e espero que sem interrupções…

Sendo eu um gajo que não faz as coisas só por fazer, e que sente que tem mesmo que fazer as coisas mesmo bem, (mesmo como quem quer fazer as coisas melhor até, tipo, ser o melhor possível que se consegue) é natural que se debruce sobre o fundo do caixote do ciclismo e rebusque lá no fundo para ver como é que os gajos marafados do algarve fazem tão bem o ciclismo.

Por isso todas as minhas viagens ao algarve, nos últimos anos.

Por isso os gritos da Querida Esposa, de cada vez que chegava a casa com as mercearias da praça, quando abria o frigorífico e ficava coberta com as laranjas dos pomares de Silves, as sardinhas e atuns de Olhão, folares de Loulé, figos secos de Portimão, garrafinhas de medronho do Ameixial e Dons-Rodrigo de Lagos, que caiam aos seus pés.

Mesmo assim, nada! Mesmo fazendo uma dieta mediterrânea-Algarvia equilibrada, não passava de um ciclista amador.

E vai de voltar ao caixote. À teoria dos caixotinhos. Se o Algarve é um caixotinho, então o melhor ciclista de todos estará no fundo desse caixotinho. E procurando bem por baixo do fundo, lá mesmo sob a zona inferior por baixo do fundo, fica Faro. E em Faro, há muitos bons ciclistas. Alguns muito bons ciclistas. Poucos ciclistas excecionais. Mas apenas um Homociclistacompletus, mais conhecido por

Velopata

https://velopata.wordpress.com/

Ele mesmo!

Consta que o Velopata é uma espécie de Super-Homem-Bicicleta (ou super-bicicleta-homem), tal a interligação entre a sua estrutura óssea e a estrutura carbono-alveolar da sua fiel Estrela Vermelha, não sendo mesmo fácil distinguir, de todo, onde terminam os tornozelos somali-etíopes e onde começam as escoras carbono-coiso, tal a semelhança diametral de ambos os apêndices.

Quais Lucky Luke e Jolly Jumper, o Velopata e a Estrela Vermelha deambulam solitários pelos barrancos e serras algarvias a velocidades estonteantes, havendo relatos inacreditáveis de já terem sido avistados, com um intervalo de minutos, almoçando uma tarte de Alfarroba no Barranco do Velho e fumando um cigarrinho no topo da Foia, jurando a Sra Velopata a pés juntos, que entre esses dois momentos, ainda terá feito um desvio, para trocar uma fralda mais recheada ao Velopatazinho (o que muito a terá aborrecido, devido ao cheiro a sg ventil que emanava do jersey da Onda, que habitualmente enverga).

 

2.

Se queres ser como os melhores, junta-te a eles

Então se o Velopata é que é o sr Gajo, que possui o Santo Graal do ciclismo, há que ir ter com ele, e sacar-lhe aquilo. Fazê-lo falar! (o gajo farta-se de escrever, e bem, pelo que não deve ser difícil).

E como se chega perto de um mito? Como poderá um mortal e simples aspirante a ciclista, montado numa canyoncoiso de plástico chinês, sequer ansiar a sentir a leve sucção de uma roda da Estrela Vermelha, mesmo que por breves instantes e com a estrada molhada, sem sequer se importar com os salpicos de água suja, projectados pelo lindo cardado dos lindos pneus dessa menina de tez ruborizada.?

Passo a explicar.

Com uma estratégia bem planeada, elaborada à custa de uma severa e rigorosa análise ao Seu perfil cibervelocinético, cruzado metadados de centenas de actividades straviólicas, com a prescutação atenta das mensagens subliminarmente escondidas nos pensamentos profundos e ensinamentos doutrinais, com que Ele perfuma o seu blogue.

Se por um lado, Ele é o tipo um Froome mais elegante no ciclismo, por outro é um talentoso e idiossincrático discípulo de Fernando Pessoa (quiçá um dos seus heterónimos), que tanto distribui carochas em monte pelos barrancos algarvios, como sarcasmo, ambiguidade e humor maquiavélico pelo éter cibernético, deixando, em ambos os casos, os seus seguidores, sem fôlego e de língua de fora.

E, com base nesse trabalho árduo de dissecação de todo um complexo ser, lançar-lhe um desafio em força de repto, com a certeza de que Ele não terá como resistir:

– Desafiar o Velopata para uma volta de biciclete, sem distribuição de carochas, mas com um almoço vegano, ou veggie, ou paleo sem gluten-coiso (ou lá com o que ele nutre o seu organismo somali-bulimico-etíope), e finalizar esses acepipes sabem com o quê?

velopata.jpg

Isso mesmo! Dando umas belas passas num cigarrinho (dos sujeitos a impostos)! Os meus saudáveis pulmões impolutos que me perdoem, mas se é para privar com o Velo-Moisés algarvio, então eles terão de se portar como uns senhores e sorver aquele alcatrão e nicotina sem birras.

 

3. 

Tudo marcado com o Velopata.

Dia 21, 22 ou 25 de abril, a Ele tanto lhe faz. Todos os sábados, domingos e feriados Ele faz do alcatrão e do pavé a sua casa, deixando a Sra Velopata em cuidados (não vá ele furar um pneu e ter de a chamar).

Sendo uma tarefa hercúlea para um aspirante a ressabiado com eu (que também apresenta algumas dificuldades na complexa operação de extrair a câmara de ar perfurada de um aro de borracha solidamente entalado num aro de alumínio), toca de arranjar companhia para empreender tão nobre missão.

– Malta, estão preparados para a aventura das vossas vidas ciclópciclistas? Uma volta que vos vai marcar para sempre?

– Conta. – Disseram em uníssono o João Pinto e o Carlos Borrego (que são os poucos que me dão ouvidos. Acho que a Querida Esposa os obriga a protegerem-me, porque descobriu o preço das bicicletas deles e chantageia-os, ameaçando contar à Querida Noiva e à Calinha Esposa Linda)

– Vamos finalmente travar conhecimento com o Velopata! Ele pedalará do algarve para cá e nós pedalaremos para lá, e quando chegarmos a meio caminho, em Ferreira do Alentejo, travamos mesmo. Apertamos as manetes e depois as mãos e travamos conhecimento e um cigarro.

– Quando?

– Dia 21 de Abril. Temos é de estar cá antes das oito da noite, pois a Querida Esposa comprou bilhetes para o teatro e nem pensar em chegar 1 segundo atrasado…

– Epá, nesse dia vai estar um temporal do caraças!

– Do tempo não tenho medo! Tenho medo é de chegar atrasado! Não queiras ver a Querida Esposa amuada!

– Olha e o Velopata vai mesmo? É que das outras vezes, ele ponderou como quem pondera muito, e ficou em casa.

– Não, Ele desta vez vai mesmo! Apesar de já ter sugerido algo acerca do caus da feira medieval de Almodôvar, que irá encher a N2 de enlatados nesse dia,  e da chuva mais que certa ….mas desta vez ele irá!

….

Mas ainda não foi desta! É que sabem? Para além de ultraciclista pró e coiso Ele é casado, e a Sra Velopata, como qualquer esposa de ciclista, tem de ir ao cabeleireiro nesse dia. E alguém tem que ficar a tomar conta do Velopatazinho, enquanto ele ainda não encontra sapatos de encaixe para o pézinho do seu petiz.

 

4.

Eu fiquei Resignado (estar resignado é estar tipo triste, porque gostavas de fazer uma coisa mas não vais poder fazer, e apesar de compreenderes que é o mais sensato, continuas triste e com dificuldades em aceitar a tua má sorte)

O Carlos ficou triste (mesmo triste, porque só poderia andar até à hora do almoço, por não ter obtido parecer favorável ao requerimento 3A, interposto tardiamente junto da direcção da  gestão da residência familiar)

Mas por sorte o João Pinto é um gajo obstinado (Obstinado é tipo não desistir. Tipo ser de ideias fixas e levar a dele avante. Tipo teimoso…. e parvo). Ou então bebeu demais ao almoço, porque me ligou com outra ideia, ainda mais parva do que a minha. E por isso impossível de dizer que não:

– Uma vez que o Velopata não vem a Ferreira do Alentejo, vamos nós a Faro! E tocamos à campainha dele para lhe pedir lume!

– E voltamos como?

– Temos comboio às 15:05 em Faro. – Não dá! Esse é o Alfa e não leva bicicletas!

– Temos o Intercidades às 13:50. – Não dá! São praí 270 kms e levas umas 10 horas sem paragens. Tinhas que saír às 2 da manhã.

– Alugamos um carro no aeroporto e entregamos em Lisboa. Custa uma pipa de massa mas não dizemos a ninguém! – Epá, já escrevi no blogue. Agora todos vão saber!

Infelizmente o Raul estava a ouvir a conversa. E Infelizmente o Raul tem sempre solução para tudo.

– Estou aqui a ber (o gajo é do Porto) este saite de boleias e bejo aqui este gajo que bai sair de Ferreiras às 17:30 e tem 3 lugares no carro.

Sem ter certezas de um regresso a horas do teatro, e pondo assim a minha vida em risco (nunca viram a Querida Esposa amuada, torno a frisar), decidimos arriscar. Poderia ser desta que desse uma aventura interessante, com qualquer história para contar aos netos.

 

5. 

Dia 21 de Abril – 00:03

Não me perguntem o que fazem dois aspirantes a ciclistas ressabiados, deitados num quarto de paredes cor-de-rosa e rodeados de barbies, bebes carecas e Lols. Com ursinhos de peluche e tudo (o guinho e o urso polar branco, que não tem nome).

Se virem bem, um está deitado numa cama de menina e o outro num colchão no chão. Não existe contacto físico entre ambos e foi a única solução autorizada pelas Queridas Esposa e Noiva num concílio que durou algum tempo:

– Prometam que descansam umas horas e que só saem de casa às 5:00 – Pediu a QN com uns olhos lacrimejantes e ternos.

– Qual dormir no escritório com os sacos-cama, qual quê! Qual treino para o TCR, qual carapuça! Dormem cá em casa e pronto! – Sentenciou a QE, batendo com o rolo da massa por estrear numa das mãos.

Bem mandados como sempre, às 5:00 da manhã, os aspirantes a ressabiados davam as primeiras pedaladas rumo ao sul, felizes por não terem feito qualquer barulho que pudesse ter incomodado a QE, (não queiram vê-la quando acorda mal-disposta e antes da hora).

Bicicletas carregadas como sempre, com mudas de roupa suficientes para as chuvadas que se previam (e para a eventualidade de chegar tarde ao teatro, e ter de ficar uns dias privado de entrar em casa).

 

6.

Está estatisticamente provado que os meteorologistas apenas acertam nas previsões, com 3 dias de antecedência, em 40% dos casos. Com 2 dias de antecedência essa probabilidade aumenta para 55% e no dia anterior, a probabilidade de acertar é de 85%. Ou seja, tínhamos 15% de probabilidades de apanhar um dia lindo de primavera. Isto, antes de sair de casa, enquanto tomávamos o pequeno almoço. Porque assim que abrimos a janela, essa probabilidade foi-se. E mesmo depois, quando começamos a pedalar, também. E depois, ao longo de todo o percurso até Ferreira do Alentejo, também. 0% de probabilidade de estarmos dentro dos 15% que nos interessavam.

E 0 x 15 dá …. uma impossibilidade matemática. Devíamos ter logo feito contas antes de partir…

 

 

A chuva, em princípio, é uma chatice. Mesmo com bom equipamento, um gajo molha-se e depois fica com frio, e coiso. Mas tem aspectos positivos: Ninguém quer ir na roda, para não ficar todo sujo da água que salta das rodas de quem vai na frente, o que me permite ir lá bastante tempo. Eu, como andei na natação quando era puto, aprendi a respirar sem engolir a água. Tiro os óculos e consigo tirar as mãos do guiador uns segundos, o que me permite ir limpando a cara e os olhos, e andar na mama mais tempo. E para além disso, às vezes (e desta vez era assim), quando chove, o vento acalma e dá tréguas. Isso hoje era de extrema importância, porque as previsões e as verificações in loco, era que o gajo soprava (e bem) de Sudeste. E era mesmo para lá que nós íamos-ir mesmo. E era com essas preocupações que me ia entretendo no caminho, para não me ir a preocupar com as horas de chegada ao teatro…

 

 

 

Pelas 8:50 chegávamos ao Torrão, cerca de 3,5 horas e 105 kms depois. Aquele café que tem uma esplanada do outro lado da rua, onde parámos na volta da N2, em Novembro de 2016.

– Bom dia!

– Boomm diiaa! Nã escolheram muite bê o dia pa passeá, pois não?

– Hum, até não está muito mau. E é melhor do que estar a trabalhar.

– Atão vocemessês vêem donde?

– Do Barreiro

– E saírem de lá há quantes dias?

– Hoje, às 5.

– E vocemessês vão práonde?

– Para Faro.

20180421_090236

– Beberam as mines de penalte e não disseram muito mais, mas ficámos com a impressão de que perceberam logo que tínhamos algum problema grave.

Como estava a chover copiosamente (como quem copia as cataratas do Niagara) aproveitámos para beber o abatanado calmamente e mastigar a sandes de presunto (ou melhor, de bocados de animais mortos e depois fumados) com toda a calma. Ainda comprei dois queijinhos de ovelha e cabra para a viajem, pois nunca se sabe quando se pode precisar de proteínas e de ácido linoléico conjugado.

 

Além disso, o banho podia esperar mais uns minutos…

 

7.

Ferreira do Alentejo. 137 kms (meio caminho). 10:20

– Olhe se faz favor! – Não se importa de nos tirar uma fotografia aos dois? Tem de apanhar a capela, está bem?

O coitado do homem tinha um chapéu de chuva na mão e um saco cheio de legumes na outra, mas lá tirou a fotografia o melhor que pode, sem deixar cair as cebolas e os aipos no chão e sem me partir o samsung.

20180421_102243

Era aqui neste preciso local que ousámos sonhar que iríamos vislumbrar pela primeira vez o brilho carbónico-encarnado-mate da BH (bicicleta do Home). Era aqui, neste mesmo local, que sonhei que iria estender a minha mão tremelicante (do nervoso miudinho, mas também do frio da chuva, agora que estava parado) para apertar a de uma lenda viva da velopatia cibernética. Mas nada. Ele parecia não estar lá.

– Procura bem, João! Ele é um pouco para o esguio e se estiver de lado, poderá ser mesmo muito difícil encontrá-lo.

Nada. Nada de Estrelas Vermelhas nem de Velopatas.

Junto da Capela do Calvário não se via vivalma! A chuva tinha diminuído, mas em contrapartida, o vento tinha subido. E muito. Mesmo bué! E soprava dali mesmo, para onde nós íamos.

Contas rápidas: Tinham sido 5 horas até ali, a meio caminho. 5 horas bem geridas, sem grandes esforços e sem grandes paragens. Outras 5 horas iguais e estaríamos em Faro. Às 15:30. Se nos apressássemos, ainda conseguíamos ir pedir lume ao Velopata, apanhar o Alfa e voltar para casa a tempo.

Pura ilusão.

Pura ingenuidade.

Foram os 70 kms mais duros de toda a minha vida.

Rectas infinitas, a perder de vista. Estradas ondulantes e completamente desabrigadas. Pedalar horas a fio, totalmente descobertos,  com um vento castigador, soprando mesmo de frente ou ligeiramente da esquerda. Sempre. Sem parar. Sem dar tréguas. Sem te deixar parar de pedalar um segundo que fosse. Mesmo nas descidas.

Saber que podias voltar para trás a qualquer momento. Sentir a tentação de torcer ligeiramente o guiador e voltar para trás, enquanto ainda estás a meio caminho. Trocar a incerteza de não ter uma boleia em Ferreiras e de não poder regressar a casa, pela certeza de lá estar em menos de 5 horas, sem tanto esforço.

 

 

 

Mas na vida, nem sempre temos essa opção. De desistir dos nossos planos e de poder voltar para o que é certo e garantido. De poder optar por não acabar aquilo a que nos comprometemos a fazer. Por muito difícil que possa ser. Nem sempre temos essa opção.

E se olhares bem, tens ao teu lado alguém que sofre como tu e que não desiste. Alguém que apesar de estar nas mesmas condições que tu, se sacrifica para te ajudar, pedalando de modo a proteger-te do vento. Um amigo, que não desiste de te ajudar. Um amigo que não deixa que o vento te derrote. Que não deixa que abandones os teus planos. Que te abandones a ti próprio. Que sente que te meteu nisto e que tem a responsabilidade de te proporcionar um dia memorável e não um dia que queiras esquecer. Um dia em que te sentiste incapaz e derrotado, não pelo vento, não pelo cansaço, mas pela tua vontade.

E a cada pedalada que dás, conquistas mais um metro aos muitos quilómetros que tens à frente. É preciso cerrar os dentes. É preciso agarrar as barras com firmeza e pedalar com garra. É preciso sentir os músculos a querer explodir! É preciso sentir que és capaz e saber ser grato por isso! Ser grato à família, que te proporciona a oportunidade para te desafiares! Ser grato à natureza, por te proporcionar esses desafios! E seres grato ao teu irmão que te acompanha sempre, que vai ali, na tua frente, a tentar minimizar o teu sofrimento. A olhar por ti como tu olhas por ele! A acreditar em ti como tu acreditas nele! E a precisar de saber que está a conseguir!

E eu pedalei sempre, João, para que chegássemos ao fim e que soubesses que conseguiste!

 

 

 

8.

N2. Km 666 (uns 3 kms depois de Almodôvar). 13:30

 

 

 

Umas fatias de presunto e enchidos, os queijos comprados no torrão e cortados ali mesmo, à navalha, uns pães e duas stout pretas, compradas uns kms atrás e transportadas nos bolsos do jersey.

Dois gajos estendidos na relva molhada, junto a um marco de estrada, em lado nenhum, longe de tudo, mas perto um do outro. Sem qualquer razão, sem qualquer necessidade. Sem nada para provar, senão a si mesmos e um ao outro.

Nunca um almoço tão simples me pareceu um tão grande banquete. Nunca o sentido de um brinde me pareceu tão claro! Os homens só deveriam brindar quando lhes custasse levantar os braços de cansaço. Quando estivessem a conquistar alguma coisa juntos!

 

 

 

 

São 2:43 da manhã e amanhã vou trabalhar. Vocês devem estar a dormir que nem uns bebés.

Porque me estou a deitar tão tarde? Será que a aventura correu mal e a QE mudou a fechadura e já arranjou outro? Será que estou a escrever esta crónica numa cabine da Grab & Go, por ser o único sítio onde me posso abrigar a esta hora?

Talvez amanhã conte o resto da aventura. Mas olhem que já disse muita coisa importante…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 thoughts on “Cigarrinho com o Velopata

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